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O vinho para tomar com os pais

🕔29.ago 2016

taças de vinhoPor

Fernando Antonio de Queiroz Fonseca Jr

Olá, queridos enófilos!

Hoje eu começo indagando qual seria o vinho para se beber no mês de agosto e consequentemente qual seria o vinho ideal para beber com o nosso pai ou simplesmente para presenteá-lo? Embora saibamos que dia das mães e dos pais é todo dia, vamos nesse momento concordar com a proposta criada pelo comércio de que o mês de agosto é exclusivo dos pais e por este motivo vou me ater a alguns perfis deste velho amigo.

Existem alguns pais que ainda não entraram no maravilhoso mundo do vinho e por isso são bebedores raros do nosso néctar de Baco. Para esse pai que está praticamente sendo introduzido nesse maravilhoso mundo, vamos de vinho básico mesmo. Independentemente de ser um vinho de baixo valor, a proposta é compartilhar um, fácil de beber. Vinhos argentinos (malbec), brasileiros (Merlot), chilenos (carmenere) e portugueses (cabernet) são os mais recomendados e por esse pai ainda não ter o nobre fermentado como o segundo líquido depois da água a ser consumido, sugiro um vinho leve, jovem, sem carvalho, pouco alcoólico e evidentemente bem acessível, características que levam este vinho a custar em torno de R$25,00.

Vamos dar um passo à frente nessa maravilhosa jornada de buscar soldados para fortalecer nosso exército de apreciadores do vinho e o mês de agosto nos ajuda muito por ser dedicado aos pais. Se o seu pai já deu o primeiro passo e já deixou de ser um bebedor que raramente degusta uma taça de vinho e passou a ser um bebedor eventual (aquele que gosta, mas não entende do assunto), ele já pode ser presenteado com vinhos de mesmas características dos indicados para os bebedores raros, todavia, esses vinhos já podem ter passagens por barrica e assim se tornar um vinho reserva que pode ser encontrado na faixa de R$50,00.

Se o seu pai já é um interessado por vinho, já lê a respeito, a dica é que no mês de agosto ele seja estimulado a desbravar novos países e talvez os vinhos da Espanha sejam uma boa dica. Pode se encontrar facilmente vinhos da uva tempranillo, tanto da Rioja quanto de Ribeira del Dueiro, por R$75,00.

Quanto aos enófilos juramentados que já sabem o que é aroma, já têm intimidade com os rótulos, conhecem as principais uvas, esses pais já merecem ganhar, no mês de agosto (e isso é de bom tom), vinhos premiados junto com algum acessório. Um vinho premium para presentear esse pai chega a custar R$100,00.

Temos pais de todas as tribos e por isso não podemos esquecer dos pais naturalistas ou alternativos, os papais “verdes”. Existem os orgânicos para os amantes da natureza e os biodinâmicos para os amantes da astronomia e essa esfera de vinhos diferenciados traz rótulos em torno de R$125,00.

Agosto nos permite criar várias brincadeiras com os nossos heróis. Por exemplo, se seu pai teve a oportunidade de ir ao estrangeiro, remeta-o a lembranças do país visitado por ele, reforce a bandeira, beba com ele um vinho em memória desses bons tempos.

Nos dias de hoje também não podemos esquecer que existem pais separados. No mês de agosto, para quem vai se encontrar com esse pai, trate de levar um vinho bem encorpado, forte, alcoólico, quase mastigável, tostado, “grand reserva”, aquele vinho que provavelmente ele não bebia nunca porque sua ex-companheira não gostava e nem deixava ele beber. Um bom tannat uruguaio, acompanhado com um bom churrasco de pernil, um momento ogro das vinhas.

Por falar em separação e distância, então aproveito aqui para registrar que o mês de agosto é o melhor momento para reaproximação com o pai. Geralmente há divergências na relação pai e filho, o vinho além de aproximar as pessoas, pois não é uma bebida para se beber só, ele ainda vai além, ele resgata de fato uma relação supostamente arranhada ou que o tempo meio sem querer afastou por alguma razão. Eis que surge o bom e velho vinho do porto. Após um bom almoço com seu pai, em família, onde as mulheres vão com tudo para a sobremesa, que tal uma taça de um bom tawny tipo vintage? Os vinhos fortificados são também conhecidos como vinhos de meditação e podem vir acompanhado de um bom charuto. Por que não? Esse é o empurrão para um bom bate papo, um momento de quebra das resistências, afinal, vinho é para ser compartilhado, sempre. O prazer de um vinho também está associado à companhia.

Enfim, agosto nos permite lembrar que existem vários motivos para se beber vinho e com uma das mais importantes companhias de nossas vidas: nosso pai.

Qual o melhor vinho que você já bebeu com seu pai? Qual o melhor vinho que você já bebeu com uma boa companhia, em uma determinada ocasião?

Tim Tim, saúde e até a próxima!

 

Fernando Tony

 

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