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O vinho borbulhante

🕔21.jan 2017

Por Fernando Antonio de Queiroz Fonseca

 espumanteOlá, amigos enófilos!

O vinho espumante nasceu, meio por acaso, na úmida e fria região de Champagne, na França. A bebida fermentava meio que acidentalmente, pela segunda vez na garrafa, liberando grande quantidade de gás carbônico e isso era um problema no século XVII. A pressão fazia com que as garrafas explodissem, mesmo estando armazenadas em caves, e muitas vezes podiam até ferir os vinicultores.

O monge beneditino, Dom Pérignon, percebeu que era inútil lutar contra esse fenômeno natural e passou a se dedicar a um novo tipo de bebida, com borbulhas mesmo, e pelo fato de Champagne ser uma região difícil para se produzir vinhos tranquilos, resolveu dar àquela bebida inquieta o mesmo nome da região que também não era tranquila devido aos constantes estouros das garrafas. O monge, por ser cego, desenvolvera muito bem seus outros sentidos, notadamente o paladar. Por isso, ao provar o vinho espumante, teria se deparado com uma deliciosa descoberta, afirmando: “estou bebendo estrelas!”. E assim os espumantes da região de Champagne se tornaram os mais famosos.

Quase todos os países que produzem vinhos também fazem espumantes, porém, não é possível chamar essa bebida de champagne em outra região, já que foi registrada e patenteada pelos franceses. Para que se possa ter noção disso, na Alsácia, o espumante é chamado de Crémant, na Espanha, é Cava, na Itália, Asti, nos Estados Unidos, Sparkling Wines. No Brasil, ainda se discute se o espumante deveria ter um nome próprio. O certo é que nas comemorações da virada de ano, não podemos deixar de estourar uma garrafa dessas para brindar e agradecer a Dom Pérignon pela bebida maravilhosa que esse santo homem nos legou.

Essa bebida cremosa de perlage (as famosas borbulhas ou bolhinhas), refrescante, realmente nos dá a sensação de estar bebendo estrelas, e se o lugar de estrelas é no céu, por que não as colocar no céu da boca?

E as estrelas não nos remetem apenas ao céu; elas também existem no oceano, onde estão os frutos do mar, item gastronômico que compõe um casamento perfeito com os espumantes. Mas, é importante registrar que essa harmonização deve ser feita apenas com a categoria de espumantes BRUT tradicional, cuja produção é feita sob o método champenoise.

Tratando especificamente dos espumantes BRUT brasileiros, é importante registrar: estes não deixam nada a desejar quando comparados aos famosos champagnes.

Sabe-se que após a passagem do réveillon, época em que mais se consome espumante, as pessoas tendem a relegá-lo a segundo plano. Não devemos esquecê-lo. Até porque, no mês de janeiro temos o ápice verão, época perfeita para apreciarmos essa maravilhosa bebida, que transborda alegria e deve ser servida bem geladinha, exatamente para evidenciar toda a sua recrescência e cremosidade. Além disso, harmoniza muito bem com entradas leves (canapês, frutos do mar e queijos), devido à alta temperatura decorrente da estação.

Para finalizar, deixo a dica: Sempre que for beber vinho em algum encontro ou evento, recomendo abrir um espumante previamente para limpar as papilas gustativas. Nada melhor do que a sensação de estar limpando o céu da boca com as estrelas. Experimentem! Saúde! Tim tim e até a próxima!

Fernando (Tony)

 

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