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O consumo de cogumelos no Brasil está crescendo e favorece o interesse pela produção

🕔14.mai 2018

Babacu cacho 1Em 2017 o Brasil importou quase 12 mil toneladas de cogumelos e trufas, entre secos, em conservas e preparados, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). E a produção nacional in natura está também na ordem de 12 mil toneladas ao ano, de acordo com a Associação Nacional dos Produtores de Cogumelos (ANPC).

O consumo interno, ainda de acordo com a associação, é pequeno por falta de tradição, tendo destaque o champignon de Paris (Agaricus bisporus), shitake (Lentinula edodes) e os cogumelos-ostra, ou shimeji preto ou branco (Pleurotus). Os maiores produtores de cogumelos shimeji no Brasil estão no estado de São Paulo. É do município de Mogi das Cruzes (SP) que vem o cogumelo que abastece a maior empresa desse produto no Pará. De acordo com o empresário Tomoaki Kishimoto, a empresa vende em torno de 700 quilos de shimeji por mês, principalmente para restaurantes japoneses localizados em Belém, capital paraense.

Kishimoto atribui o baixo consumo ao valor elevado do produto. Em Belém, o quilo do “shiimeji preto”, o mais popular entre os consumidores, custa entre R$ 50 e R$ 80, e o do “shiimeji branco” entre R$ 48 e R$ 70.

O tempo de validade do produto in natura é outro obstáculo para os comerciantes locais, de acordo com Kishimoto. O produto vem de caminhão com câmara frigorífica e é armazenado em isopores. “A validade após o beneficiamento é de 12 dias, mas perdemos cinco com o transporte, só restando sete dias para comercializar o produto fresco no mercado local”, conta o empresário. Por isso, a empresa importa as quantidades certas, limitando assim um crescimento mais expressivo do consumo local.

Além disso, Félix Siqueira, pesquisador da Embrapa Agroenergia, ressalta que há potencial enorme para a produção de cogumelos comestíveis regionais amazônicos que já estão climatizados às condições de florestas. “As florestas tropicais são um dos maiores bancos de biodiversidades de cogumelos e entre esses muitos com potenciais alimentícios e nutracêuticos (substâncias bioativas benéficas à saúde)”, frisa o cientista. “Junto aos resíduos lignocelulósicos são observadas muitas espécies de cogumelos crescendo naturalmente, que podem ser espécies já domesticadas e com clientela fidelizada”, acredita.

 

 

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