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O combate às micotoxinas no trigo e seus derivados

🕔06.out 2019

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), aproximadamente 25% dos alimentos produzidos no mundo estão contaminados com micotoxinas, gerando perdas anuais de um bilhão de dólares. Os impactos econômicos podem resultar em perdas entre 50% e 100% do valor comercial dos grãos, na redução da eficiência produtiva em animais, além de custos com monitoramento e controle para evitar a mistura de lotes contaminados com grãos sadios.

Pesquisadores e representantes do setor produtivo estão unindo esforços para conter a contaminação por micotoxinas em alimentos derivados de trigo no Brasil. Essas substâncias, tóxicas à saúde humana e à de animais, estão relacionadas principalmente ao fungo Gibberella zeae (Fusarium graminearum), causador da giberela, principal doença do trigo no País. Como não existe um método capaz de combatê-la, recomenda-se o controle adequado dos grãos nas fases de produção e pós-colheita, além de medidas relacionadas a manejo, monitoramento de clima e uso racional de fungicidas. Paralelamente, a ciência investe em tecnologias para frear a ocorrência de micotoxinas, como o desenvolvimento de variedades resistentes à giberela e o uso de equipamentos de alta precisão para medir os níveis de contaminação.

No Brasil, análises realizadas nos laboratórios da Embrapa Trigo (RS) entre os anos de 2009 e 2017 detectaram a presença dessas substâncias em amostras comerciais de alimentos à base de cereais, como farinha de trigo, biscoitos e macarrão instantâneo, entre outros. Em alguns casos, os níveis de contaminação superaram 90%.

As três micotoxinas mais frequentemente detectadas no País são: deoxinivalenol (DON) e zearalenona (ZEA) – relacionadas à incidência de fungos do complexo Fusarium graminearum – e a ocratoxina A – produzida pelos fungos Penicillium verrucosum e Aspergillus ochraceus durante a armazenagem.

Entre essas, a mais preocupante é a deoxinivalenol (DON), devido à frequência das epidemias de giberela nas lavouras de cereais de inverno no sul do Brasil. Análises com alimentos contaminados mostraram que a DON resiste aos processos industriais utilizados na fabricação de biscoitos, barra de cereais e panificados. Em laboratório, a micotoxina só foi eliminada em temperaturas superiores a 210ºC, o que prejudica grande parte dos atributos de qualidade dos alimentos.

Na área animal, o pior problema enfrentado por produtores, especialmente de suínos e aves, é a contaminação da ração utilizada na alimentação. As consequências do acúmulo crônico nos órgãos dos animais é objeto de estudo do pesquisador Carlos Malmmann, do Laboratório de Análises de Micotoxinas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). “Os impactos econômicos são expressivos, com alteração visível no crescimento dos animais”, explica Mallmann, lembrando que as micotoxinas não contaminam a carne produzida, mas podem aparecer nos ovos e no leite.

Pesquisadores brasileiros têm trabalhado em parceria com os principais centros de pesquisa internacional para vencer a giberela. Como o controle químico nem sempre apresenta resultados satisfatórios, a melhor solução seria o desenvolvimento de cultivares resistentes à doença. Mas para o pesquisador da empresa Biotrigo Genética Paulo Kuhnem, esse é um resultado a estratégias de controle da giberela devem ser empregadas de maneira integrada, incluindo cultivares mais resistentes, rotação de culturas, época e escalonamento da semeadura, além do controle químico pela aplicação de fungicidas.

 

 

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