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O agricultor tem mais benefícios com uso do milho orgânico

🕔06.out 2017

milho orgânicoO milho orgânico já pode ser usado pelos agricultores para plantar. É o caso da cultivar da Embrapa BRS Caimbé, uma variedade de ciclo precoce recomendada para a agricultura familiar, que apresenta adaptabilidade às principais regiões do País. Nos testes, todo o cultivo foi feito de forma orgânica. “O milho sofreu um ataque de lagartas e depois, para nossa surpresa, teve um arranque e conseguimos uma produção muito boa. Os agricultores conseguiram fazer a colheita e fizeram a seleção das melhores espigas. Fizemos também a seleção dos grãos e replantamos. Agora, a safra dessa colheita está melhor que a primeira”, relata um produtor.

A cultivar da Embrapa BRS Caimbé é comercializada pela empresa Grãos Orgânicos desde o segundo semestre de 2015. Após testes e validações feitos pela Embrapa em sistemas orgânicos de produção, a licenciada comercializa sementes orgânicas da variedade. O mercado dos chamados “produtos limpos” é promissor: movimenta US$ 43,3 bilhões nos Estados Unidos e US$ 31,1 bilhões na Europa, com destaque para hortaliças, frutas, alimentos para bebês e substitutos da carne. As informações, de 2015, são de duas instituições europeias: Research Institute of Organic Agriculture (FiBL) e International Federation of Organic Agriculture Movements (IFOAM).

No Brasil, segundo dados do Centro de Inteligência em Orgânicos, da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), a área plantada com orgânicos chega a 750 mil hectares, sendo que o País ocupa a 12ª posição entre os principais produtores e a quinta posição entre os países emergentes, atrás de Uruguai e Argentina. O mercado apresenta crescimento de 20% ao ano, sendo que as vendas totais alcançaram R$ 2,5 bilhões em 2016. Em se tratando de milho, Carlos Thomaz Lopes, sócio-gerente da Grãos Orgânicos, afirma que a área plantada estimada está em 3,3 mil hectares, o que representa apenas 0,018% das lavouras ocupadas pelo cereal no País.

Marcelo Dressler, analista da Embrapa Produtos e Mercado, que esteve à frente do processo de licenciamento da variedade BRS Caimbé, acredita que o crescimento do consumo de orgânicos é uma tendência irreversível. “Ainda está em volumes pequenos, mas crescentes. Acreditamos que exista um espaço para o desenvolvimento de novas cultivares, adaptadas para cada região e cada perfil de produtor. A Embrapa está disponível para conversar, visando fortalecer esse elo da cadeia com o fornecimento de sementes orgânicas”, antecipa.

 

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