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Mudanças na temperatura global aumentam os riscos de doenças no cultivo do feijão

🕔25.jun 2019

Feijão - plantaçãoCom o aumento da temperatura do planeta, muitas doenças de plantas podem alterar sua distribuição nas regiões produtoras, aumentando as dificuldades de manejo e os riscos de perdas na produção. Entre os males que afetam as raízes, a podridão radicular seca, causada por fungos do gênero Fusarium, pode se intensificar em lavouras de feijão das regiões Sul e Sudeste do Brasil e dificultar o cultivo do grão no Centro-Oeste devido à restrição de condições ambientais favoráveis para o feijoeiro. Essa é a expectativa de um estudo da Embrapa e da Universidade Federal de Goiás (UFG) publicado na revista científica PLOS ONE.

O trabalho de tese de doutorado de Renan Macedo, com orientação do pesquisador Murillo Lobo Junior, da Embrapa Arroz e Feijão (GO), projetou a distribuição da podridão radicular seca para os anos 2050 e 2070 em diferentes regiões do País, face às estimativas de dois cenários de aumento de temperaturas, sendo um otimista e outro pessimista, previstas no mais recente relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC-AR5), divulgado em 2014.

Para a pesquisa, os cientistas consideraram duas taxas de emissões de gases de efeito estufa, baseadas nas chamadas Rotas de Concentração Representativas, conhecidas pela sigla RCP. A primeira (RCP 2.6) prevê aumento do aquecimento global em 1oC, enquanto a segunda (RCP 8.5) prediz a elevação de 2oC.

Aliado a esses dois cenários, o estudo utilizou um grande volume de dados de estações climatológicas e de condições ambientais favoráveis à ocorrência da enfermidade. Por meio de modelagem, padrões favoráveis à doença foram reconhecidos por métodos estatísticos e por inteligência artificial (machine learning), gerando previsões da distribuição da podridão radicular seca.

Os resultados do trabalho apontam regiões de alta favorabilidade climática para a doença. Atualmente, a podridão radicular seca está presente nas principais regiões produtoras de feijão no Brasil. As projeções do estudo de Macedo indicam o aumento do risco da doença em localidades do Brasil que hoje são mais frias, mas que apresentarão boas condições ambientais para a ocorrência da podridão radicular seca, especialmente devido à mudança no regime de chuvas e na temperatura.

A doença deve ficar mais severa em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, nas projeções para 2050 e 2070. Apesar disso, de acordo com os pesquisadores, essas estimativas só se consolidarão a partir do acompanhamento e da confirmação dos cenários de mudanças climáticas e do monitoramento local do comportamento da podridão radicular seca.

“Os mapas de risco indicam as tendências de distribuição da doença. Eles podem servir para o desenvolvimento de estratégias de manejo a médio e longo prazo e para a adoção de medidas de mitigação, a partir da orientação de políticas públicas, do direcionamento de esforços de programas de melhoramento genético do feijão e de geração de cultivares resistentes, além da execução de ações voltadas ao manejo integrado”, afirma o pesquisador Murillo Lobo Junior.

Ele destaca ainda que, se essas projeções se confirmarem, a podridão radicular seca se tornará mais intensa em áreas que hoje respondem por 40% da produção de feijão no Brasil, ou seja, mais de 1,2 milhão de toneladas do grão e onde a agricultura é mais praticada por pequenos agricultores.

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