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Milho contaminado é proibido de ser vendido para qualquer parte do Brasil

🕔03.dez 2018

Milho com aflatoxina

Quinhentas mil sacas de milho foram barradas para comercialização, no estado do Tocantins. O produtos estava contaminado por micotoxina identificada no grão que impede a venda. Os  produtores estão preocupados com escoamento da produção da safra. Levantamento da Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro) constatou que aproximadamente 500 mil sacas foram barradas para a venda, mas o prejuízo pode ser ainda maior, segundo Tadeu Teixeira Jr, gerente de agricultura da Seagro. A aflatoxina é um tipo de micotoxina das mais nocivas do mundo, considerada o agente natural mais carcinogênico que se conhece.

“Essa micotoxina é altamente perigosa, porque mesmo quando o milho é processado ela não morre. Então ela pode ser encontrada em inúmeros alimentos processados, como flocos de milho e até na cerveja. Pior: se o animal consumir o milho contaminado, transmite aflatoxina para a carne e o leite”, alerta o pesquisador. Entre as diversas doenças provocadas pela toxina, estão câncer de fígado, depressão, hemorragias, dores abdominais, ataxia (perda do controle muscular), entre outras.

Por essa razão, a Europa é um dos compradores mais exigentes do mundo, não admitindo um nível de contaminação superior a quatro nanogramas. Brasil, Argentina e Estados Unidos já admitem até cinco vezes acima desse patamar. Nos Estados Unidos inclusive há uma legislação específica que determina a destinação do milho de acordo com seu grau de contágio: até 20 nanogramas o grão pode ser destinado ao consumo humano. Mais do que isso pode ser destinado a animais, à produção de etanol ou simplesmente deve ser incinerado. No Brasil, a legislação é vaga e não diferencia os diversos graus de contaminação.

Teixeira revela como a Seagro descobriu casos de aflatoxina no Tocantins. “Uma grande empresa exportadora de grãos entrou em contato conosco para relatar sobre a rejeição de seus lotes de milho. A princípio a demanda era ligada a questões tributárias, mas ali acendeu um alerta e fomos saber se o problema era local ou se atingia outras empresas”, diz. De fato, depois de uma consulta a mais de 30 armazenadores do estado, a Seagro tomou conhecimento de que várias estavam com o mesmo problema de contaminação. “Foi quando tivemos a ideia de organizar esse evento em parceria com a Embrapa”, destaca.

O temor dos produtores e empresários é que o estado seja visto como produtor de grãos contaminados e perder possíveis compradores. “O Mato Grosso, que é um grande produtor de milho, é tido como fornecedor de grão saudável, limpo. Se o Tocantins pegar esse estigma de exportador de grão contaminado pode inviabilizar plantio de milho no estado”, alerta.

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