Nordeste Rural | Homepage
Advertisement

Excesso de concentrado na alimentação do gado confinado pode levar o animal a morte

0 Comments 🕔06.nov 2019

confinamento bovino 1Uma tendência atual nos confinamentos brasileiros é o fornecimento de uma dieta rica em grãos e alimentos não fibrosos. No entanto, se o pecuarista errar os cálculos na hora da formulação e não colocar a quantidade mínima necessária de fibra efetiva, aumentam-se as chances do desenvolvimento da acidose ruminal, doença metabólica que pode levar o animal à morte.

Essa mudança na alimentação dos bovinos confinados ocorre, de acordo com o pesquisador Sérgio Raposo de Medeiros, da Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos (SP), porque é mais eficiente e frequentemente mais econômica. Raposo conta que, quando o produtor aumenta a porcentagem de concentrado e diminui a quantidade de fibra, o animal acelera a deposição de gordura e, assim, chega ao peso ideal mais rapidamente. Além disso, essas dietas (chamadas “quentes”) são biologicamente mais eficientes. Mas o pecuarista que optar por aumentar o concentrado na alimentação bovina precisa ficar atento à ocorrência de acidose ruminal.

A doença é decorrente de uma produção exagerada de ácido lático no rúmen. Segundo o pesquisador, quando os animais consomem muito amido de forma brusca, a fermentação intensa e rápida desequilibra o pH do rúmen. O ideal é que o pH fique em 6,2. No entanto, com uma dieta rica em concentrado pode haver um excesso de produção dos ácidos orgânicos, reduzindo o pH e alterando a população de bactérias, levando à predominância das produtoras de ácido lático.

A consequência desse desequilíbrio é a acidose ruminal, que predispõe o animal a outros problemas, como a laminite e o timpanismo. Em geral, basta retirar a dieta com alto concentrado e fornecer alimentos com mais fibra para resolver o problema. No entanto, para cessar o sofrimento do bovino, o veterinário Raul Mascarenhas, da Embrapa Pecuária Sudeste, indica intervenção farmacológica e acompanhamento veterinário. Para corrigir a acidez é comum a utilização do bicarbonato de sódio via oral e soro ringer lactato endovenoso. Para cólicas, quando presentes, podem ser aplicados analgésicos e antiespasmódicos e, para tratar a laminite, um anti-inflamatório não esteroidal.

A acidose também pode se manifestar de forma subclínica, nesse caso, o gado não apresenta sintomas visíveis. O pecuarista deve ficar atento a alguns indicadores, como variação de consumo de alimentos e redução da produção de carne ou leite. Raposo ressalta que a acidose é uma dor de cabeça que o produtor pode evitar. Para preveni-la, ele recomenda fazer adaptação do animal no confinamento, aumentando paulatinamente o concentrado, além de manter algum ingrediente que seja fonte de fibra efetiva (volumoso, silagem, cana de açúcar, bagaço de cana in natura, feno de gramíneas, etc.). “Uma quantidade mínima de fibra garante que o animal seja estimulado a ruminar, ato no qual há grande produção de saliva que é ingerida. A saliva tem vários componentes que ajudam a manter o pH em níveis seguros, garantindo um bom ambiente ruminal.

Outra recomendação é o fornecimento da dieta em vários momentos do dia. Com essas medidas simples, o pecuarista evita os problemas com a acidose ruminal, garantindo o bem-estar animal e a eficiência do sistema de produção.

 

 

Similar Articles

Já é Natal em Garanhuns, interior de Pernambuco

Já é Natal em Garanhuns, interior de Pernambuco 0

A abertura oficial do Natal em Garanhuns, a 272 quilômetros do Recife, foi no final

Fica mais fácil enfrentar a seca quando o pecuarista faz planejamento

Fica mais fácil enfrentar a seca quando o pecuarista faz planejamento 0

É importante o pecuarista se preparar para enfrentar a seca, planejando como vai alimentar o

Ministra diz que assistência técnica para pequeno produtor será prioridade em 2020

Ministra diz que assistência técnica para pequeno produtor será prioridade em 2020 0

As promessas da ministra Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ocorreram no Congresso Brasileiro

Novo decreto regulamenta e simplifica o plantio de cana-de-açúcar

Novo decreto regulamenta e simplifica o plantio de cana-de-açúcar 0

O novo decreto revoga um anterior com restrições que impactavam "negativamente as usinas de açúcar

OS búfalos no Estado de Pernambuco: Décadas de História

OS búfalos no Estado de Pernambuco: Décadas de História 0

Por: Ricardo Pessoa – Professor da UFRPE   O professor Ponce de Leon Filho registrou que os

No Comments

No Comments Yet!

No one have left a comment for this post yet!

Write a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

CITEquin - Hospital do Cavalo, Paudalho-PE