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Dura mais de um ano a prova de leite a pasto para seleção dos melhores vacas

🕔25.nov 2017

prova do leite a pastoA Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto do Zebu Leiteiro já vem acontecendo desde 2015 e é realizada através do Centro de Tecnologias para Raças Zebuínas Leiteiras da Embrapa Cerrados, no Distrito Federal. O objetivo é melhorar a qualidade genética dos rebanhos leiteiros da região do Brasil central e, assim, aumentar a produtividade dos animais, que, apesar de similar à média nacional, 1.600 litros/vaca/ano, ainda é baixa se comparada à dos estados do Sul, de 2.900 litros/vaca/ano, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A prova zootécnica, inédita  em condições de Cerrado do Brasil Central, foi desenvolvida em uma parceria entre Embrapa e Associação dos Criadores de Zebu do Planalto (ACZP), representante em Brasília da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ),  com apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB) e das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu). A metodologia tem como objetivo identificar e disponibilizar ao mercado matrizes melhoradoras de raças zebuínas leiteiras como Gir Leiteiro e Sindi, ou seja, com maior potencial genético para a produção de leite a pasto, nas condições do Cerrado brasileiro.

De acordo com dados da Emater-DF, o Distrito Federal conta com 1.230 produtores de leite e, em 2016, produziu 29,9 milhões de litros, volume ínfimo diante do demandado pelos consumidores brasilienses – 221,8 milhões de litros anuais, se for multiplicada a população – cerca de 3 milhões de habitantes – pelo consumo recomendado pela Organização Mundial de Saúde, de 200 mL/dia. “Precisamos encontrar genética que se adapte ao nosso sistema de produção a pasto. Não é comprar genética e depois inventarmos um sistema que não temos condições de manter.

Coordenador da prova, o pesquisador da Embrapa Carlos Frederico Martins explica que a metodologia tem como premissas a seleção genética confiável, com no mínimo cinco meses de mensuração de leite; o sistema de produção pecuária característico do Brasil, que tem o pasto como base alimentar sustentável; e a produção do leite seguro e saudável, sem qualquer aditivo.

Os animais participantes da prova são novilhas contemporâneas, provenientes de criatórios do DF e de estados vizinhos. A prova tem duração de 14 meses, sendo dois de adaptação, em que os animais são alimentados com silagem de milho e concentrado, e 12 meses de lactação, dos quais são considerados 305 dias de lactação, período em que as novilhas se alimentam de pasto rotacionado de Brachiaria brizantha cv. BRS Piatã, variedade recomendada para o Cerrado e integrante do portfólio de cultivares da Embrapa, e suplementação proteica, como ocorre nas fazendas da região. O leite produzido é pesado e avaliado em um laboratório da Universidade Federal de Goiás (UFG). As ordenhas são realizadas mecanicamente duas vezes ao dia, com a presença do bezerro ao pé, sem indutores de lactação.

Durante o período de lactação, são mensurados parâmetros de importância econômica em condições de pastagem no bioma Cerrado quanto à produção de leite (com peso ponderado de 40% na avaliação), intervalo do parto à concepção (15%), percentagem de gordura no leite (5%), contagem de células somáticas (CCS) no leite (5%), percentagem de proteína no leite (10%), persistência de lactação (10%) e conformação da morfologia racial (15%). As mensurações são conduzidas em conjunto com técnicos da ACZP e da ABCZ.

Os atributos medidos compõem o índice fenotípico que classifica os animais na prova. Cada atributo é expresso considerando-se a média do grupo avaliado com o valor de 100% – ou seja, os animais acima da média recebem valores superiores a 100% e os abaixo da média, valores inferiores a 100%. “Assim, o animal primeiro colocado não é o que produz mais leite, mas é o mais equilibrado nesses fatores avaliados”, afirma Martins. Outros fatores avaliados, mas que não compõem o índice fenotípico, são os sólidos totais e a lactose presentes no leite.

Além das avaliações zootécnicas feitas por técnicos da Embrapa e da ACZP, um laboratório externo faz a genotipagem das novilhas para a beta-caseína A2, proteína do leite menos alergênica que a variante A1 – segundo estudos médicos desenvolvidos na Nova Zelândia, na Austrália e na China, em populações que consomem o leite A2 há menor incidência de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 1 e alergias. “Oitenta por cento dos zebuínos carregam essa característica, que agrega valor ao zebuíno leiteiro”, explica o pesquisador. A variável também não faz parte do índice fenotípico de classificação das novilhas.

O CTZL busca ainda formar um banco genético com as cinco melhores fêmeas de cada raça classificada na prova. Caso haja interesse do criador, após a prova, os animais são submetidos à aspiração folicular e coleta de embriões. Os produtos (embriões) são compartilhados igualmente entre o criador e a Embrapa, que assinam um contrato de parceria pecuária de pesquisa.

Marcelo Toledo, superintendente técnico da ACZP, revela a satisfação da entidade em realizar a prova com a Embrapa. “Foi uma felicidade muito grande. Sempre tivemos desejo de desenvolver esse projeto junto com o CTZL e deu tudo certo. Tudo foi feito para que o produtor se beneficie com as informações geradas.”

As pesagens terminam em novembro deste ano e os resultados finais devem ser divulgados em dezembro. A terceira edição já está com inscrições abertas para as raças Gir Leiteiro, Sindi, Guzerá e Guzolando.

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