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Caatinga pode se tornar solução produtiva diante da mudança do clima

0 Comments 🕔10.nov 2019

energia solarO Recife foi sede da Conferência Brasileira da Mudança do Clima. As contribuições do evento servirão de propostas para o Brasil em relação aos compromissos nacional para o acordo global do clima. A conferência é uma organização do Instituto Ethos – uma Oscip que há 21 anos mobiliza o setor empresarial a gerir os seus negócios a partir do protagonismo socioambiental. Em Pernambuco, por sinal, uma solução socioeconômica e tecnológica que gera renda, riqueza e cidadania para agricultores a partir da produção conjunta de alimentos e energia em pequenas áreas com altas temperaturas e grande variabilidade pluviométrica (com áreas que chovem bem e em outras não), já reconhecida como eficiente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), integrará a programação.

“Aproveitamos as potencialidades que a Caatinga (sol em abundância e a inteligência genética e bioeconômica da flora diante do clima semiárido) já tem para fazermos a adaptação e transição para uma agricultura de baixo carbono (produção agrovoltaica) que aponta para um novo modelo socioeconômico frente à crise climática e as oportunidades que surgem com elas”, fala a climatologista Francis Lacerda, gestora da rede nacional de pesquisadores (Ecolume), coletivo financiado pelo CNPq, do governo federal, e formado por estudiosos de institutos e universidades públicas, organizações sociais e iniciativa privada. Francis, por exemplo, coordena o Laboratório de Mudanças Climáticas do Instituto Agronômico do Estado. O Ecolume foi selecionado pela Ethos para compor o evento.

A Ecolume é responsável pela criação, implantação e operação do 1ª Sistema Agrovoltaico brasileiro, instalado do Sertão do Moxotó de PE, na escola de Agroecologia Serta, que é uma Oscipe. O sistema produz o ano todo energia solar, alimento vegetal, mudas de plantas nativas para o reflorestamento e proteína animal através de um sistema fotovoltaico e hídrico fechado e orgânico. A tecnologia engloba três subsistemas: as placas fotovoltaicas para a geração de energia elétrica e a captação de água da chuva; a produção orgânica de alimentação vegetal e animal por tubos e tranques (aquaponia) através de irrigação circular e fechada; e o reuso e reutilização da água usada em outras áreas da propriedade.

“Em uma pequena propriedade, numa área de apenas 24 m², hoje já se fatura mais de R$ 10 mil anual. Em dois anos, com toda essa produção, o agricultor já paga pela tecnologia. Mas se investisse na produção de feijão ou milho, não renderia nem R$ 3 mil por ano, porque dependeria bastante da água, um recurso no Sertão que vem diminuindo ainda mais com os efeitos da mudança do clima. O Semiárido está ficando árido, ou seja, menos chuva e mais quente ainda. Enquanto isso, com o sistema agrovoltaico, otimiza-se o uso da água e potencializa-se a irradiação solar convertida em energia elétrica para fins produtivos”, resume Francis.

O desempenho do sistema tem sido reconhecido nacionalmente. Ainda em 2018, a Fundação Getúlio Vargas classificou como uma experiência exitosa na produção alimentar. A tecnologia do Ecolume foi incluída pela fundação no seu programa Bota da Mesa, que são diretrizes públicas e empresariais para inclusão da agricultura familiar na cadeia de alimentos.

Há poucos dias, a potencialidade bioeconômico desse sistema acaba de ser reconhecida pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC). A maquete da tecnologia ficou em destaque na 16º Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília, realizada no último mês. Marcos Pontes, ministro do MCTIC, conferiu os resultados e o funcionamento dessa inovação. Para Fábio Larotonda, que é diretor do Programa de Desenvolvimento Científico do MCTIC, a Ecolume vem implantando soluções inovadores diante dos desafios globais, atento ao clima e a partir da rica biodiversidade brasileira e a sua correta exploração bioeconômica através do sistema agrovoltaico na Caatinga.

 

 

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