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Aprendendo a cuidar do potro que fica órfão

🕔05.dez 2015

potros no campoA estação de monta dos equinos, criados no hemisfério sul, se inicia em setembro e segue até fevereiro na maioria das raças, que é exatamente a época onde ocorrem os cios mais férteis devido ao maior fotoperíodo. No caso do quarto de milha, por exemplo, a estação começa no dia primeiro de julho e vai até dia 31 de dezembro. Os cavalos fazem “aniversário” todos ao mesmo tempo, independente do mês do nascimento, isso é o chamado ano hípico. Isso significa que podem competir na mesma categoria mesmo tendo nascidos com diferença de seis meses. Por isso que na equideocultura é tão importante que a égua emprenhe no início da estação, pois além dos potros terem a vantagem de desenvolvimento sobre seus concorrentes, a égua possui mais tempo para se emprenhar durante a estação.

Portanto, o nascimento dos potros acontece no segundo semestre do ano seguinte. Neste período, entre gestação e o nascimento do potro é necessário que os criatórios ofereçam manejo adequado para as éguas prenhas e cuidados nutricionais e sanitários aos potros – desde sua concepção – para que tenha bom desenvolvimento.

Mas mesmo com todas estas precauções, é muito importante que o criador esteja preparado para um possível óbito da mãe ou mesmo a rejeição do potro por parte da égua. Lembrando que toda a transferência de imunidade ao potro é realizada através do colostro materno. A não ingestão, assim como a baixa concentração de imunoglobulinas, o deixará suscetível a enfermidades e poderá levá-lo à morte, caso não sejam instituídos alguns cuidados.

Essas cautelas envolvem a avaliação do estágio em que o filhote tornou-se órfão e se foi possível a ingestão do colostro. O ideal é que os haras tenham um banco de colostro para essas eventualidades. A eficácia do colostro depende de seu conteúdo de imunoglobulinas. Após 24h, a concentração de anticorpos reduz consideravelmente. Dessa forma, para criação de um banco de colostro, o leite congelado deverá ser de uma égua que tenha parido neste intervalo. Se estiver congelado e armazenado no chamado banco de colostro, o conteúdo deve ser consumido imediatamente ao seu aquecimento para evitar crescimento bacteriano. O animal deverá receber cerca de 500ml de colostro por mamadeiras ou sonda nasogástrica a cada hora antes das 12h de vida.

Caso não tenha colostro disponível, deve-se administrar lentamente o plasma hipermune por via intravenosa. O objetivo dessa administração é oferecer anticorpos que deveriam ser provenientes do colostro materno. Após este processo, o haras pode tentar introduzir o potro em outra égua parida ou oferecer o aleitamento artificial em caso de rejeição ao órfão. O aleitamento artificial pode ser realizado com 750ml de leite de vaca ou de leite semidesnatado, 250ml de água filtrada, 30g de Dextrosol, 5g de carbonato de cálcio e uma gema de ovo.  Oferecer 2,5L do leite a cada duas horas.

O cavalo jovem possui exigência nutricional bastante alta, necessitando para sua taxa de crescimento normal 110 a 130kcal/kg, o que corresponde a cerca de 3,5 vezes o exigido para um cavalo adulto em manutenção. Portanto, chega a mamar o equivalente entre 20 e 25% do seu peso vivo. Caso seja realizado o aleitamento artificial, iniciar com 10% a 15% do peso vivo do filhote e elevar gradualmente 1 a 2% ao dia.

Sete dias após o nascimento, pode ser inserida a ração na alimentação do potro. O recomendado é um produto balanceado que contenha com 19% de proteína bruta e extrusado a fim de facilitar a absorção dos nutrientes. Se a introdução da ração for realizada precocemente, em torno do sétimo dia de vida, iniciar o fornecimento com 100g ao dia e aumentar gradativamente. Em média os potros chegam à fase de desmama consumindo em torno de 1kg. Os potros, em geral, consumirão cerca de 2kg/dia quando estiver com aproximadamente cinco meses. Mas, essas quantidades devem ser ajustadas por um profissional especializado. Essas orientações são da médica veterinária Natalia Telles Schmidt, que é assistente técnica de equinos da Guabi.

 

 

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