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A praga do milho será combatida com ajuda de um virus

🕔17.mai 2017

lagarta no milhoÉ um inseticida biológico que tem como princípio ativo um vírus de grande eficácia para controle da lagarta-do-cartucho, principal praga do milho, que acomete também outras culturas, como soja, sorgo, algodão e hortaliças. O primeiro inseticida à base de Baculovirus spodoptera, o CartuchoVIT, acaba de ser lançado no mercado como resultado de uma parceria entre a Embrapa Milho e Sorgo (MG) e o Grupo Vitae Rural.

“Os baculovírus são agentes de controle biológico que não causam danos à saúde dos aplicadores, não matam inimigos naturais das pragas, não contaminam o meio ambiente, nem deixam resíduos nos produtos a serem vendidos nas gôndolas dos supermercados”, explica o pesquisador da Embrapa Fernando Valicente. Testes de biossegurança comprovaram que esses vírus são inofensivos a microrganismos, plantas, vertebrados e outros invertebrados que não sejam insetos. O Baculovirus spodoptera apresenta especificidade em relação aos insetos-alvo. Infecta e causa a morte da lagarta-do-cartucho (Spodoptera fugiperda) e da lagarta Spodoptera cosmioides.

O pesquisador ressalta que a segurança do inseticida à base de baculovírus, aliada à facilidade de manuseio, faz do produto um dos melhores agentes de controle biológico. Uma vantagem do CartuchoVIT é o pequeno número de aplicações necessárias, em geral duas, o que gera menor custo com máquinas agrícolas e com mão de obra. Além disso, podem ser usados os mesmos equipamentos de aplicação de produtos químicos, fator que contribui ainda mais para a redução de despesas dos produtores.

As avaliações de campo demonstram que o bioinseticida apresenta taxa de mortalidade de 75% a 95% das lagartas-do-cartucho com até cinco dias de idade (até quase 1 cm de comprimento). Valicente explica que não se trata de um inseticida de contato. “A lagarta tem que raspar um pouco a folha que recebeu a aplicação do produto. Ela é infectada pelo vírus, diminui sua alimentação drasticamente e morre em cinco dias.”

Para garantir a eficácia do bioinseticida, o produtor deve seguir as orientações de uso. “É importante cuidar do preparo e aplicação, respeitar a vazão, utilizar o bico correto, dar boa cobertura e entender o melhor posicionamento do produto, ou seja, a data em que se aplica”, comenta o pesquisador.

Recomenda-se a primeira aplicação de dez a 12 dias após a germinação da planta, e a segunda de sete a 12 depois, de acordo com o monitoramento de raspagem das folhas e o histórico da região. Dessa forma, é possível evitar a sobreposição de gerações de lagartas.

Para utilizar o CartuchoVIT, o produtor dilui o pó em água e aplica no campo. A fim de garantir a eficácia, é preciso seguir as orientações técnicas.

  • Deve ser usado na quantidade de 50 gramas por hectare, fazendo-se uma calda com, no máximo,150 litros por hectare.
  • A calda deve apresentar pH entre 5 e 7. Importante: pH alcalino destrói o baculovírus, sendo fundamental medir o pH da água antes e após a preparação da calda.
  • A aplicação deve ocorrer após as 16 horas. A luz do sol destrói o baculovírus.
  • A primeira aplicação deve ser feita entre 10 e 12 dias após a emergência da planta. A segunda aplicação deve ocorrer uma semana após a primeira, dependendo do histórico da região.
  • Em caso de chuva forte, reaplicar o produto.
  • A conservação e a guarda do produto podem ser feitas em temperatura ambiente, desde que em local fresco e arejado.
  • Deve-se usar espalhante adesivo com o bico do tipo leque.
  • Reaplicar em caso de reinfestação.
  • Não aplicar em milho com mais de 40-50 dias. Lagartas pequenas não vão ingerir o baculovírus porque não conseguem raspar folhas muito duras.

 

 

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