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A luta para reduzir o desperdício de alimentos no mundo

🕔23.out 2016

alimentos-desperdicioAs perdas no início da cadeia de alimento são mais comuns em países subdesenvolvidos, que lidam com baixo aporte tecnológico no manejo das lavouras, carência de estrutura para estocagem da produção e infraestrutura inadequada para escoamento das safras. Já em países de média e alta renda, a maior contribuição para o desperdício parte do consumidor. Porém, mesmo no contexto da classe média baixa, o desperdício pode ocorrer por fatores culturais, como o gosto pela abundância à mesa, compras excessivas, armazenamento inadequado do alimento ou mesmo desinteresse pelo consumo das sobras.

Desde 2013, quando o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançaram a iniciativa Save Food, diversos países têm iniciado campanhas de promoção do consumo sustentável de alimentos ou estabelecido suas próprias metas de redução das perdas e desperdício de alimento. Mais recentemente, dentre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas em 2015, destaca-se “Reduzir pela metade, até 2030, o desperdício de alimentos per capita mundial, nos níveis de varejo e do consumidor, e reduzir as perdas de alimentos nas outras etapas da cadeia agroalimentar”.

A produção de alimentos no mundo, em relação ao período de 2005 a 2007, precisa aumentar 60% até 2050 para suprir a crescente demanda, resultante do crescimento da população no hemisfério sul, aumento do consumo nos países em desenvolvimento e mudanças nos padrões de consumo. A necessidade de maior produção gera maior pressão sobre recursos naturais escassos, como solo, água, energia e nutrientes (fósforo, potássio etc.) e deixa ainda mais nítido um problema social com elevado impacto ambiental: as perdas pós-colheita e o desperdício no final da cadeia de suprimentos.

Grande parte do ganho necessário para fazer frente a este desafio de aumentar a produção global de alimentos pode vir da redução do desperdício. As perdas e desperdício de alimentos são um entrave para “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável”, segundo dos dezessete objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Para o pesquisador Gilmar Paulo Henz, da Secretaria de Inteligência e Macroestratégia da Embrapa, o desafio constante de aumento da oferta de alimentos pode ser compensado inteligentemente pela redução de perdas pós-colheita e do desperdício pelos consumidores. “O aumento da produção agrícola e da produtividade impõe altos custos ambientais, além de comprometer a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares, razão pela qual é necessário aprimorar as práticas na cadeia de pós-colheita para reduzir efetivamente perdas. As recentes crises no fornecimento de água e energia em algumas regiões do Brasil, com aumento de tarifas, são uma indicação de que a sociedade precisa repensar seu padrão de consumo como um todo, inclusive dos alimentos. Medidas simples, como planejar as compras, dar preferência aos produtos locais e reduzir o desperdício doméstico, podem ter grande impacto na produção e disponibilidade dos alimentos”, enfatiza Henz.

Dados recentes da FAO reforçam o tamanho do problema. O mundo descarta, aproximadamente, um terço do alimento produzido globalmente, o equivalente a 1,3 bilhão de toneladas anuais. Em países como os Estados Unidos, Austrália e Inglaterra, que concentram a maior parte do desperdício no final da cadeia, o percentual descartado ultrapassa um terço da produção. Mesmo no contexto de países em desenvolvimento, o desperdício no âmbito do varejo e do consumidor é elevado. Nestes países, as perdas tendem a ser elevadas desde o manejo da lavoura e o pós-colheita.

A FAO estima que 28% dos alimentos que chegam ao final da cadeia de suprimentos em países latino-americanos são desperdiçados. Enquanto o Brasil, por exemplo, descarta mais do que o necessário para neutralizar a insegurança alimentar no País, apenas um quarto do desperdício agregado dos EUA e Europa é suficiente para alimentar as 795 milhões de pessoas que ainda passam fome no mundo.

 

 

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